Entre o julgamento e a superficialidade

O que o outro acredita tem apenas o valor de uma opinião pessoal. No entanto temos, não poucas vezes, utilizado a opinião do outro como material para incendiar a guerra de palavras. O que há na opinião do outro que incomoda tanto? Talvez exista em nosso oponente algo que reside também em nós outros. Talvez o nosso maior inimigo seja nosso maior aliado, pois é ele quem aponta para aquilo que nos incomoda, que precisa ser melhorado. Se, por outro lado, julgamos A, B ou C pautados em meia dúzia de preceitos morais, isto deveria significar que cumprimos fielmente tais deveres, certo? Mas isto nem sempre é verdade.

Quantos de nós somos prisioneiros das escolas de pensamento, das filosofias pessimistas, das religiões que pregam o ódio, ou dos partidos que trabalham por interesses particulares apenas por que a vaidade, a conveniência ou o medo nos roubou a chave do cárcere? Que dizer do botânico que criasse definições a partir das cascas secas de algumas árvores? Por mais inteligentes que sejamos, não devemos tomar nosso entendimento como medida para todas as coisas. Isto é superficialidade que conduz à arrogância.

Que o único julgamento seja da nossa própria conduta. Que sejamos o juiz, o advogado e até o carcereiro. Mas que não sejamos prisioneiros dos diagnósticos e terminologias. Antes de julgar é preciso penetrar a alma humana, sondar suas profundezas. Que possamos vencer os pensamentos inferiores e os preconceitos comuns. Assim, quem sabe, conseguiremos abalizar as ocorrências da vida e da sociedade de maneira sábia e equilibrada.