Reciclagem Digital

Segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU), o lixo proveniente de sistemas computacionais tais como computadores, celulares e similares cresce a uma taxa cerca de três vezes maior que a do lixo comum. Em pouco mais de 60 anos após a aparição dos computadores no mundo, em que a obsolescência dos sistemas – estimulada pelo consumismo das economias de mercado capitalistas – é cada vez mais precoce, a quantidade de lixo gerada a partir de componentes ainda em condições de uso é praticamente incalculável, assim como o impacto ambiental negativo que se converterá em pesado fardo para as gerações futuras. O lixo proveniente de materiais eletrônicos contém dezenas de contaminantes, como metais pesados e outros que, mesmo descartados de maneira correta (se encaminhados para aterros sanitários, por exemplo), podem provocar muitos danos ao meio ambiente.

Entre as alternativas para se deter tal movimento, podemos citar o programa de Extensão Universitária "Reciclagem Digital": idealizado por professores e alunos dos cursos de Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção e Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Ouro preto, conta atualmente com três projetos vinculados, intitulados "Frankenstein", "Hospital das máquinas" e "Manufatura Reversa", uma equipe envolvendo cerca de 10 profissionais, entre professores e alunos.

1) Projeto "Hospital da Máquinas": consiste em estimular o uso destes sistemas por um período maior de tempo a partir de uma manutenção regular de hardware (futuro “lixo eletrônico”) e atualização software (futuro “lixo digital”), com a substituição de componentes defeituosos ou instalação/atualização de sistemas operacionais de fácil manutenção, de preferência software livre e de código aberto. Esta medida visa estender a vida útil das máquinas presentes na comunidade como agente promotora de educação no âmbito socioambiental, além de promover a diminuição da dispersão de material contaminante no meio ambiente.

Coordenador: Prof. Cristiano L. T. de França e Silva

2) Projeto "Manufatura Reversa": Promover o desmanche de equipamentos ditos "obsoletos", realizando o movimento inverso ao de uma linha de montagem. Separados, esses componentes (motores de passo, engrenagens, componentes eletrônicos etc) poderão, em tese, ser reaproveitados em outras aplicações, especialmente na educação e pesquisa na universidade. Esta medida visa auxiliar a comunidade a dar uma destinação útil aos componentes eletrônicos, tais como computadores, TV's celulares, aparelhos de som, bem como estimular a cultura do reaproveitamento, dado o alto valor agregado nos produtos eletrônicos.

Coordenador: Prof. Danny A. V. Tonidandel

3) Projeto "Frankenstein": Realizar ações voltadas para a doação de computadores – recuperados a partir da área de descarte da UFOP – às instituições de ensino, arte, cultura, religiosas e/ou filantrópicas da região de Ouro Preto,  reaproveitando componentes e peças que viriam a contaminar o meio ambiente por meio de um descarte errôneo ou que continuariam ocupando espaço físico na universidade, além de promover a inclusão digital em instituições onde tais recursos são escassos.

Coordenadora: Profa. Regiane de S. e S. Ramalho

O programa abrange os projetos vinculados é, em essência o "Reciclagem Digital", coordenado atualmente pelo prof. Danny A. V. Tonidandel, tendo sido coordenado anteriormente pela profa. Adrielle de C. Santana, possuindo, como produtos principais, computadores reciclados e úteis novamente à sociedade, peças reaproveitadas para as atividades de ensino e pesquisa na universidade e descarte adequado de lixo digital que não tenha mais uso.

Articulação com o ensino: Aprofundamento do conhecimento em manutenção de computadores e
eletrônica pelos alunos, bem como o entendimento do uso de determinados componentes pelos diversos
laboratórios da UFOP. Conscientização dos alunos e da sociedade quanto ao problema ambiental
causado pelo lixo eletrônico e do consumismo.

Articulação com a pequisa: Os bolsistas desenvolverão estudos minuciosos para adequar cada máquina a
ser recuperada aos diversos públicos, uma vez que são trabalhadas diferentes arquiteturas de computadores. A compatibilidade das peças e softwares deverão ser analisadas de forma personalizada para que cada máquina funcione corretamente, de acordo com seus objetivos. As máquinas recuperadas poderão atender à demanda de laboratórios que precisam desse recurso para a realização/ampliação da pesquisa. Essa funcionalidade do programa se estende às escolas, instituições educativas e de pesquisa da comunidade ouropretana que vierem a firmar parceria com o programa. 

Articulação com as demandas sociais: Redistribuição de computadores (considerados lixo eletrônico)
para instituições que necessitem e famílias de baixa renda. Coleta de lixo eletroeletrônico acumulado
nas residências e instituições, evitando o descarte errôneo e diminuindo seu impacto no meio ambiente, que afeta a própria sociedade.