A Eletricidade como fluido - parte 1

Que é Eletricidade? Que é Magnetismo? Estas são talvez perguntas que inúmeros observadores da natureza fizeram ao longo dos tempos, desde que os perceberam, por intermédio de seus fenômenos. São, talvez, das grandes questões da humanidade. A Eletricidade e o Magnetismo foram, ao longo da história, pensados e falados como se pertencessem a um domínio transcendental, algo simultaneamente além do espaço, do tempo e de qualquer concepção. Mas é preciso que assim seja? Será que a busca por entender sua essência não está sujeita às inquirições da mente? Não se trata de uma questão de fatos, de investigação, ou ainda não temos sentidos suficientes para percebê-los em sua natureza íntima? Talvez seu entendimento pleno esteja reservado para um estado futuro da humanidade, que os compreenderão de maneira mais simples. 

No que se refere à eletricidade, é possível que grande parte das ideias remanescentes no inconsciente coletivo da ciência contemporânea seja derivada das primeiras experiências de eletrização por atrito, relatadas pelo grego Tales de Mileto, um filósofo que por vezes se enveredou pelo experimentalismo, há mais de 2500 anos [ver referência 1]. Desde a antiguidade os observadores notavam que determinados materiais, ora submetidos ao atrito com materiais de outra natureza (como lã de carneiro e âmbar, por exemplo), cediam ou recebiam determinada "virtude", que parecia transferir-se de um corpo ao outro, fazendo com que este corpo, ora inerte, ganhasse propriedades similares ao da pedra ímã. Tal "capacidade de transferência" sugeria fortemente que esta virtude poderia ser um fluido que tornava os corpos concentrados ou "carregados", o que indicava a ideia de um ente material, dotado de massa, que jornadeava livremente, desde que estabelecido um caminho para tal. Afinal, se algo era percebido pelos sentidos, deveria ser algo material, pensavam.

Desde então, a tradição de buscar compreender os fenômenos elétricos e magnéticos como essencialmente fluídicos foi uma constante, até que, no século XIX, mais precisamente em 1831, um jovem cientista - que possuía conhecimentos rudimentares em matemática - viria a revolucionar a história da ciência portando uma teoria nada ortodoxa... Mas essa é outra história!

[1] COPLESTON, F. A History of Filosophy. New York, USA: Image Books, 1993. v. 1.

[2] WILLIAMS, L. P. The Origins of Field Theory. Maryland, USA: University Press of America, 1980. v. 1. Publicado originalmente por Random House em 1966.